quinta-feira, 21 de março de 2013

Relatos de um novo pensamento


César A. de O. Peret

Posso definir o IRA como uma caminhada. Andamos pelos entornos de São João Del Rei e cidades vizinhas, mas também pelo universo da fotografia. No primeiro momento fui como um fotógrafo amador que obedecia as regras de uso da minha câmera e registrando o mundo ao longo do caminho.
César Peret

Logo conheci o artista Eustáquio Neves e suas obras magníficas, como subverte o uso de equipamentos fotográficos e de impressão criando sobreposições de imagens e de tempo-espaço. Miguel Chikaoka, exímio educador, nos instigou a explorar a luz e sua projeção de diversas formas.
Começamos então a deixar de lado nossas máquinas de último modelo para virar artesãos e produzir nosso próprio aparelho registrador. Trabalhamos na involução do aparelho para brincar com outros modos de programação para tal. Construímos pin-holes com cartolina e a exploramos com 1, 4 e 9 furos ou com lentes variadas. Era incrível o mosaico de imagens possíveis. Criei então um protótipo de três lentes e fiquei encantado com as possibilidades infinitas de se produzir imagens distorcidas e sobrepostas. Estou agora impaciente para revelar um filme de 36 poses da minha nova câmera de caixa de fósforos construída com orientação de Chikaoka.

Pedro Mota

Nas primeiras visitas de campo pensamos em projetar a cidade na paisagem, acabamos por projetar dentro de uma tenda escura, a paisagem na cidade que somos registrando-a em nossos corpos e criando um laço entre o espaço urbano, seu entono e nosso imaginário. O túnel do trem também virou uma caixa preta onde projetamos seu exterior em um papel manteiga, este que também foi usado na tenda escura e ficou, em ambos os locais, parecendo um vidro suspenso com uma fotografia viva, um filme não gravado.


Pedro Mota

Percebi que transitávamos entre os mecanismos pré-programados e a liberdade do processo criativo criando formas e objetos alternativos para se captar imagens. Saltando de um aparelho para outro ou todos juntos ao mesmo tempo.
E depois de entender o que se passa no interior da caixa preta, minha imaginação de arquiteto ficou fervilhando e imaginando usar essas experiências na concepção de espaços, instalações ou revitalizações de locais abandonados, na tentativa de interligar as pessoas, as artes e o espaço em que se relacionam.
No fim do processo não consegui, e nem sei se conseguiria registrar em fotografias, todas as vivências, os conhecimentos e os valores que senti. Brincamos com aparelhos, permutamos imagens, sobrepomos lugares, desenhamos em papel fotográfico. Foi uma experiência incrível através da fotografia.

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