sexta-feira, 15 de março de 2013

Um estranho no filme?



Hoje o dia foi foda. Pelo menos pra mim: o único participante do I.R.A. que não tem envolvimento direto com a fotografia. Tudo isso porque esta sexta-feira foi o primeiro dia em que saímos todos juntos a campo (Sem Eira Nem Beira; Eustáquio Neves; Miguel Chikaoka; Pedro Motta e Daniel Perini).

O primeiro destino: um túnel de quase meio quilômetro, onde planejamos algumas intervençõs. No entanto, ainda que tenha pegado uma pequena câmera e batido umas fotos, fiquei me perguntando o que diabos eu fazia ali, enquanto todo mundo sabia bem o que fazia.

Seguia dentro da van, chutando pedrinhas dentro da minha cabeça, quando me peguei conversando com Chikaoka. Nada medida que nos deslocávamos, fomos falando de tecnologia, máquinas de escrever e Belém do Pará. Ele falava de fotografia. Apesar de fascinado, não entendia porra nenhuma.

Porém, conhecer o processo de um artista é sempre uma experiência notável. Tão notavel que enquanto ele comentava seu trabalho, percebi o quanto eu (rascunho de escritor) podia aprender com ele (fotógrafo de excelência). Mesmo sem aproveitar nada da técnica.

Ao explicar como ele produzia câmeras usando elementos típicos da Amazônia - e de onde estivesse no mundo - notei uma coisa: diante de mim estava um cara que vivia um processo artístico perpétuo. Parecia não haver uma meta absoluta, apenas consequências de um orgão criativo que não parava de produzir.

Quase sem ver, me desliguei da ansiedade de ter que produzir algo específico. Ao fazer isso, joguei no chão todas as toneladas de folhas em branco, canetas e expectativas loucas que eu mesmo coloquei sobre as costas. O importante não era ser Hemingway, Bukowski ou Bob Dylan. Era simplesmente guiar meu processo conforme ele se apresentass. Seja num poema, numa foto, ou na intervenção permanente que fizeram na minha alma.

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