terça-feira, 5 de março de 2013
Um trem que parte
São João del Rei, para mim, há alguns anos significa casa de vó, horta, passeio de bicicleta, curtir a noite com os antigos amigos e acordar tarde. Quando o despertador tocou naquele sábado por um momento eu me perguntei o que eu fazia acordando tão cedo em SJDR. Essa sensação passou logo e (apesar de uma estranha dor nas costas) saí animado para encontrar os amigos do Sem Eira nem Beira para irmos para o primeiro encontro, de (re)conhecimento, de nós e das locações.
Senti que o entrosamento e afinidade estavam em alta frequência, as imagens eram feitas com uma fluidez impressionante. Sem trocar muitas palavras nós cobriamos com o olhar e nossos sensores todo o movimento daquele dia, daquele lugar. Depois mostrávamos os visores uns para os outros mostrando o que haviamos feito. Um pouco sem combinar também eu acabei fazendo a maioria da cobertura em vídeo. De noite editei o vídeo também coletivamente e ainda pude treinar minhas habilidades em After Effects e achei que ficou bem digno o resultado.
Tendo nascido e morado por 18 anos em São João del Rei eu me sentia um pouco envergonhado por não conhecer sequer por um mapa mental os lugares pelos quais passávamos. E olha que eu andava de bicicleta todos os finais de semana pela região. Nunca fui bom com mapas, afinal. Morando há 5 anos em BH acho que só sei reconhecer umas 5 avenidas principais.
Porém, a memória dos lugares por onde passamos aquele dia com certeza vai ficar guardada. Posso não lembrar exatamente onde estávamos, por qual estrada passamos, mas lembro da Micro-Capadócia, onde o vento esculpiu uma pequena cidade de um povo minúsculo, e onde o homem deixou que um grande buraco se formasse. Lembro desses túneis e da grande frequência com que os trens passavam. Lembro do almoço em Coroas. Lembro das pontes com grafites. Lembro da pequena barragem que eu sequer imaginava que existia e de um pequeno banho nela.
Lembro principalmente do tanto de idéias que começamos a formar ali, inspirados por aquilo que originou o SENB: um grupo de amigos somando idéias, propostas, discussões e produção para atingir algo maior do que a soma de todos.
Aos poucos, como um trem girando suas engrenagens para partir, entrávamos no trilho, as coisas começavam a tomar forma, ficamos mais animados, sentiamos uma prévia do que seria a residência, ficamos imaginando o que Chikaoka e Eustáquio poderiam propor para nós e nós para eles e que trem daria a soma disso.
O trem do I.R.A. já partiu e todos envolvidos são ele e os trilhos ao mesmo tempo, mudando de direção à medida que as idéias e propostas vão amadurecendo, alteradas, criadas. Que trem isso vai dar no final ainda não sabemos, mas vai ser um trem bão demais.
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