sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Texto Encerramento Livro IRA - Relato Pedro Motta e Daniel Perini

_Inter
_Residências
_Ações

Processos colaborativos e de compartilhamento de informações tem sido uma realidade nas redes criativas. No campo das artes visuais, não é diferente. Nesse contexto, projetos como o Inter_Residências_Ações (I.R.A.) tem se voltado para o desenvolvimento de metodologias e ambientes de troca que deem conta de, ao mesmo tempo, incrementar redes locais e produzir coletivamente com intensidade e qualidade.
A este objetivo agregamos novos contornos para o projeto definindo, por exemplo, a “land art” e as paisagens naturais da Região do Campo das Vertentes como elementos presentes no chão de diálogo inicialmente proposto para artistas residentes e jovens. A partir deste ponto a coordenação do projeto, compartilhada por Pedro Motta e Daniel Perini, limitou-se a contribuir na articulação e produção das atividades envolvendo o coletivo de jovens Sem Eira Nem Beira (São João Del Rei – MG) e os fotógrafos Eustáquio Neves (Diamantina - MG) e Miguel Chikaoka (Belém - PA). Assim, ao longo das quase duas semanas de convivência diária em São João Del Rei, coube aos participantes da residência elaborarem percursos em diálogo com a imagem, a paisagem e possibilidades criadas coletivamente. 

Talvez por isso, os resultados que compartilhamos com esta publicação sejam uma surpresa para todos nós. Fato é que já nas primeiras conversas entre fotógrafos, jovens e organizadores, via email e mensagens, os dispositivos fotográficos a serem utilizados já haviam sido definidos.  Dos jovens do coletivo vieram sugestões de locações, projeções em diferentes superfícies e um forte desejo de trabalhar com a paisagem da região. Dos fotógrafos, em um primeiro instante, vieram dois caminhos.  Eustáquio Neves trouxe para o processo câmeras antigas. A ideia era replicar, analogicamente a partir dos visores dos equipamentos, filtros digitais amplamente difundidos e utilizados por usuários de câmeras embarcadas nos telefones celulares atuais. Miguel Chikaoka apontou para a câmara obscura e variações das mais diversas do uso do pinhole.  
Essas orientações foram suficientes para iniciarmos a viabilização das propostas. Além de organizar as primeiras etapas com os jovens e fotógrafos, coube-nos buscar apoio para a construção da câmara obscura. Neste equipamento, seriam necessárias qualidades que, apenas em tese, são simples. O dispositivo deveria ser escuro, ter orifício(s) para entrada de luz, porta, superfícies para projeção e, tratando-se de um dispositivo para ser usado nas paisagens naturais, deveria ser leve e desmontável. 
O que parecia complicado, se desembolou e ganhou forma no papel a Companhia de Inventos. Inspirado nos desenhos das barracas de alta montanha, estava ali criado o projeto  da câmara obscura.  Esse foi, de fato, o primeiro resultado do processo de colaboração do projeto. A partir de uma orientação inicial de Chikaoka, Marcos Lustosa, Nado Rohrmann e Renata Franca logo entenderam a ideia, criaram soluções e, com muita habilidade, fabricaram o dispositivo batizado mais tarde “Tenda dos Milagres”.
Foi com esta “tenda”, câmeras fotográficas digitais, analógicas, caixas de fósforo, salas escuras, enfim, uma imersão intensa nas paisagens fez com que a intervenção se reconfigurasse. Como comenta Pedro Motta: 

“A proposta era realizar uma intervenção na paisagem, mas, foi a paisagem que interviu em todos nós.”

Foi esse o ar que respiramos deste momento até o encerramento do projeto. Os vídeos que seguem junto ao livro e publicados no site, por exemplo, surgiram como registros de atividades e, aos poucos, revelaram um novo caminho para o projeto. Imagens em movimento do pinhole, da câmara obscura e dos túneis tornaram-se testemunhos de uma fotografia em movimento, vivenciada. 
Com milhares de fotografias e vídeos devidamente gravados passamos à etapa de edição da publicação final do projeto. Para isso já contávamos com o suporte de dois colaboradores valiosos: o professor Eduardo de Jesus e a designer Fernanda Monte Mor.

Ainda que não tenham acompanhado presencialmente as atividades do projeto em São João Del Rei, ambos já estavam envolvidos nos percursos desde os primeiros momentos. Ao criar a proposta do I.R.A., convidamos o professor Eduardo de Jesus para escrever um texto específico tratando do processo e resultados. Da mesma forma, contamos com a Fernanda uma vez que fora também responsável pela criação da identidade visual do projeto como incluindo, diga-se de passagem, a bela logomarca.

Por fim, mas não menos importante, a construção de laços institucionais foram fundamentais para o projeto.  Desde o início, a Pró Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade Federal de São João Del Rei já apostava na iniciativa. Percebeu a qualidade da proposta, a relevância da iniciativa reconhecendo a importância da Rede Nacional Funarte – Artes Visuais e a oportunidade de produção e formação para seus alunos.

Mais do que um resultado do projeto, este documento representa um processo denso e plural. Por isso, essa única resalva deve ser feita. Ainda que tenhamos publicado fotos e textos no site, compartilhado ao máximo as produções e ideias.  A realização deste projeto está ainda nos seus desdobramentos futuros através de todos que participaram desta proposta.  Nosso agradecimento a todos
e esperamos que esta seja uma contribuição em uma rede ainda maior, heterogênea e criativa.

Daniel Perini e Pedro Motta


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