_Inter
_Residências
_Ações
Processos colaborativos e de compartilhamento de informações
tem sido uma realidade nas redes criativas. No campo das artes visuais, não é
diferente. Nesse contexto, projetos como o Inter_Residências_Ações (I.R.A.) tem
se voltado para o desenvolvimento de metodologias e ambientes de troca que deem
conta de, ao mesmo tempo, incrementar redes locais e produzir coletivamente com
intensidade e qualidade.
A este objetivo agregamos novos contornos para o projeto
definindo, por exemplo, a “land art” e as paisagens naturais da Região do Campo
das Vertentes como elementos presentes no chão de diálogo inicialmente proposto
para artistas residentes e jovens. A partir deste ponto a coordenação do
projeto, compartilhada por Pedro Motta e Daniel Perini, limitou-se a contribuir
na articulação e produção das atividades envolvendo o coletivo de jovens Sem
Eira Nem Beira (São João Del Rei – MG) e os fotógrafos Eustáquio Neves
(Diamantina - MG) e Miguel Chikaoka (Belém - PA). Assim, ao longo das quase
duas semanas de convivência diária em São João Del Rei, coube aos participantes
da residência elaborarem percursos em diálogo com a imagem, a paisagem e possibilidades
criadas coletivamente.
Talvez por isso, os resultados que compartilhamos com esta
publicação sejam uma surpresa para todos nós. Fato é que já nas primeiras
conversas entre fotógrafos, jovens e organizadores, via email e mensagens, os
dispositivos fotográficos a serem utilizados já haviam sido definidos. Dos jovens do coletivo vieram sugestões de
locações, projeções em diferentes superfícies e um forte desejo de trabalhar
com a paisagem da região. Dos fotógrafos, em um primeiro instante, vieram dois
caminhos. Eustáquio Neves trouxe para o
processo câmeras antigas. A ideia era replicar, analogicamente a partir dos
visores dos equipamentos, filtros digitais amplamente difundidos e utilizados
por usuários de câmeras embarcadas nos telefones celulares atuais. Miguel
Chikaoka apontou para a câmara obscura e variações das mais diversas do uso do pinhole.
Essas orientações foram suficientes para iniciarmos a
viabilização das propostas. Além de organizar as primeiras etapas com os jovens
e fotógrafos, coube-nos buscar apoio para a construção da câmara obscura. Neste
equipamento, seriam necessárias qualidades que, apenas em tese, são simples. O
dispositivo deveria ser escuro, ter orifício(s) para entrada de luz, porta,
superfícies para projeção e, tratando-se de um dispositivo para ser usado nas
paisagens naturais, deveria ser leve e desmontável.
O que parecia complicado, se desembolou e ganhou forma no
papel a Companhia de Inventos. Inspirado nos desenhos das barracas de alta
montanha, estava ali criado o projeto da
câmara obscura. Esse foi, de fato, o
primeiro resultado do processo de colaboração do projeto. A partir de uma
orientação inicial de Chikaoka, Marcos Lustosa, Nado Rohrmann e Renata Franca
logo entenderam a ideia, criaram soluções e, com muita habilidade, fabricaram o
dispositivo batizado mais tarde “Tenda dos Milagres”.
Foi com esta “tenda”, câmeras fotográficas digitais,
analógicas, caixas de fósforo, salas escuras, enfim, uma imersão intensa nas
paisagens fez com que a intervenção se reconfigurasse. Como comenta Pedro
Motta:
“A proposta era realizar uma
intervenção na paisagem, mas, foi a paisagem que interviu em todos nós.”
Foi esse o ar que respiramos deste momento até o
encerramento do projeto. Os vídeos que seguem junto ao livro e publicados no
site, por exemplo, surgiram como registros de atividades e, aos poucos,
revelaram um novo caminho para o projeto. Imagens em movimento do pinhole, da câmara obscura e dos túneis
tornaram-se testemunhos de uma fotografia em movimento, vivenciada.
Com milhares de fotografias e vídeos devidamente gravados
passamos à etapa de edição da publicação final do projeto. Para isso já
contávamos com o suporte de dois colaboradores valiosos: o professor Eduardo de
Jesus e a designer Fernanda Monte Mor.
Ainda que não tenham acompanhado presencialmente as
atividades do projeto em São João Del Rei, ambos já estavam envolvidos nos
percursos desde os primeiros momentos. Ao criar a proposta do I.R.A.,
convidamos o professor Eduardo de Jesus para escrever um texto específico tratando
do processo e resultados. Da mesma forma, contamos com a Fernanda uma vez que
fora também responsável pela criação da identidade visual do projeto como
incluindo, diga-se de passagem, a bela logomarca.
Por fim, mas não menos importante, a construção de laços
institucionais foram fundamentais para o projeto. Desde o início, a Pró Reitoria de Extensão e
Assuntos Comunitários da Universidade Federal de São João Del Rei já apostava
na iniciativa. Percebeu a qualidade da proposta, a relevância da iniciativa
reconhecendo a importância da Rede Nacional Funarte – Artes Visuais e a
oportunidade de produção e formação para seus alunos.
Mais do que um resultado do projeto, este documento
representa um processo denso e plural. Por isso, essa única resalva deve ser
feita. Ainda que tenhamos publicado fotos e textos no site, compartilhado ao
máximo as produções e ideias. A
realização deste projeto está ainda nos seus desdobramentos futuros através de
todos que participaram desta proposta.
Nosso agradecimento a todos
Daniel Perini e Pedro Motta
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